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Líderes evangélicos chamam de “blasfêmia” postagem de Trump retratado como Jesus

Uma postagem feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, provocou forte reação entre líderes evangélicos, ativistas e comentaristas...

Líderes evangélicos chamam de “blasfêmia” postagem de Trump retratado como Jesus
Líderes evangélicos chamam de “blasfêmia” postagem de Trump retratado como Jesus (Foto: Reprodução)

Uma postagem feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump, provocou forte reação entre líderes evangélicos, ativistas e comentaristas cristãos nesta semana.

Trump compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece com aparência semelhante à de Jesus Cristo, curando um homem ferido e cercado por figuras supostamente angelicais.

A imagem, publicada na rede Truth Social e depois apagada, mostrava Trump vestido com túnica branca e manto vermelho, irradiando luz das mãos, em uma composição que muitos interpretaram como uma representação messiânica.

(Foto: Reprodução)
Postagem de Trump, antes de ser apagada da Truth Social. (Captura de tela)

O caso rapidamente gerou acusações de irreverência e blasfêmia entre apoiadores conservadores e líderes religiosos.

“Vocês imediatamente viram uma reação bem negativa de muitos cristãos bastante conservadores que geralmente são muito alinhados com Trump”, escreveu um comentarista político da Reuters sobre a postagem.

No contexto cristão, blasfêmia é entendida como profanar, insultar ou atribuir indevidamente honra divina ao que não é Deus.

Para diversos críticos, a publicação ultrapassou os limites do humor político e tocou em símbolos sagrados da fé cristã.

O pastor Tony Suarez, fundador da Revivalmakers Ministries e que já atuou como conselheiro de Trump, declarou que a imagem “foi decepcionante” e que “precisava ser retirada imediatamente”.

Joel C. Rosenberg, editor do All Israel News, comentou em seu perfil no X: “Isso foi um erro muito grave – há muita coisa que o presidente está fazendo corretamente, mas este foi um terrível erro de julgamento.”

O cantor e evangelista Sean Feucht escreveu em suas redes sociais:

“Isso deveria ser apagado imediatamente. Não há nenhum contexto em que isso seja aceitável.”

This should be deleted immediately. There’s no context where this is acceptable. https://t.co/XrcpiBV1O0

— Sean Feucht (@seanfeucht) April 13, 2026

Carol M. Swain, escritora e comentarista política cristã, criticou duramente Donald Trump pela postagem de tom messiânico e afirmou que ações têm consequências.

“Deus não divide a Sua glória com ninguém. A Bíblia é clara: ‘O temor do Senhor é o princípio da sabedoria’”.

Ela citou o caso do rei Herodes Agripa I, em Atos 12:21–23, para alertar sobre os perigos da exaltação humana indevida:

“No dia determinado, Herodes, vestindo suas roupas reais, sentou-se no trono e dirigiu um discurso público ao povo. Eles gritavam: ‘É a voz de um deus, e não de um homem!’

Imediatamente, porque Herodes não deu glória a Deus, um anjo do Senhor o feriu; ele foi comido por vermes e morreu.”

Ao concluir, ela afirmou: “Devemos ter cuidado quando alguém – até mesmo um conselheiro espiritual – compara um presidente a Cristo, como foi feito durante a temporada da Páscoa. Esse tipo de comparação não é sábio.”

“Fim dos tempos”

Além da acusação de blasfêmia, outro detalhe da postagem chamou atenção e provocou debates nas redes sociais.

Espectadores disseram ter identificado, acima da cena principal, uma figura escura que lembraria um ser alado com três chifres.

A suposta imagem foi rapidamente associada por alguns usuários a símbolos proféticos e passagens apocalípticas da Bíblia.

Segundo comentários repercutidos pelo Daily Mail, internautas compararam o elemento visual ao capítulo 7 do livro de Daniel, que descreve visões de reinos e de um governante arrogante representado por um chifre que se exalta e afronta o Altíssimo.

Para muitos, a coincidência reforçou interpretações espirituais e advertências sobre engano religioso, poder político e os chamados sinais do fim dos tempos.

Eleitores evangélicos

A repercussão chamou atenção porque parte significativa do eleitorado evangélico americano segue sendo uma base importante de apoio político de Trump.

Ainda assim, o episódio revelou que, para muitos cristãos conservadores, existe uma linha sensível quando figuras públicas se associam diretamente à imagem de Cristo.

A comentarista conservadora Megan Basham deixou isso claro, ao classificar o A comentarista conservadora Megan Basham também deixou isso claro ao classificar o conteúdo como inadequado e ofensivo.

“Não sei se o presidente achou que estava sendo engraçado ou se está sob a influência de alguma substância, ou qual possível explicação ele poderia ter para essa blasfêmia ABSURDA. Mas ele precisa apagar isso imediatamente e pedir perdão ao povo americano e, depois, a Deus.

Ela se juntou a outros nomes ligados à direita cristã que também se manifestaram em tom semelhante contra a publicação.

Publicação removida

Após a reação negativa, a publicação foi removida.

Questionado por jornalistas, Trump alegou que pensou se tratar da imagem de um médico ou socorrista, e não de uma representação de Jesus. A explicação, porém, não convenceu parte dos críticos religiosos.

O episódio reacendeu um debate frequente entre líderes cristãos nos EUA: até que ponto a fé pode ser usada como ferramenta política sem cair em idolatria, culto à personalidade ou banalização do sagrado.

Silêncio e opiniões divididas

Apesar da polêmica, nomes relevantes do meio evangélico dos EUA, como Franklin Graham –  em 2025 enviou uma carta para Trump o incentivando a aceitar Jesus – Robert Jeffress, pastor sênior da Primeira Igreja Batista de Dallas, e Paula White-Cain, não se manifestaram publicamente sobre o episódio até o momento.

A televangelista White-Cain é conselheira espiritual de longa data do presidente e lidera o Escritório de Fé na Casa Branca.

O silêncio também foi notado por observadores religiosos e reforçou a percepção de que a postagem de Trump dividiu líderes cristãos no país.

Após a forte repercussão negativa, Trump tentou explicar a publicação:

“Eu publiquei, sim, e achei que era eu como um médico, e que tinha a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha ali, que nós apoiamos… A ideia era ser eu como um médico, ajudando as pessoas a ficarem melhores.”

Para muitos pastores, porém, comparar qualquer líder humano a Jesus Cristo não apenas distorce o Evangelho, mas fere o princípio central da fé cristã: somente Cristo ocupa esse lugar.